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  Homossexualismo e
  a função da psicoterapia


             Antonio Carlos Alves de Araújo *
             PsicólogoC.R.P: 31341/5
             Comunique-se
             13, Outubro/2003

 

            A raiz do preconceito por alguém que tem uma outra orientação sexual explica-se pelo fato de não haver controle sobre o prazer dessa pessoa. A banalização do prazer heterossexual ou até mesmo a ausência dele, faz com que haja um desejo inconsciente de que esse alguém que não compartilha o mesmo desejo seja condenado a ser ainda mais infeliz, por sua orientação sexual e a maneira como busca o prazer. É uma forma de amenizar a própria insatisfação.O preconceito contra o homossexual espelha a incapacidade de lidar com a própria miséria afetiva, além de mostrar a vulnerabilidade do heterossexualismo; não que as pessoas estejam se tornando gays por tais fatores, mas que há, atualmente, um grande hiato no relacionamento entre homens e mulheres, e o mesmo acaba sendo preenchido com ódio contra todos que não seguirem determinado padrão.
Agradecimentos aos pacientes pela colaboração e inspiração.
Antonio Carlos Alves de Araújo


(Análise psicológica atual do homossexualismo e como a psicoterapia pode servir de apoio contra a discriminação do homossexual) .

            Acho que poucos homossexais freqüentam sessões de terapia por temerem situações embaraçosas como um psicólogo que lhes proponha a conversão para o heterossexualismo ou que os trate como doentes mentais. A própria psicologia lidou de certa forma com preconceito e indignação perante o tema; o que historicamente só agravou o estado emocional do paciente. O homossexual precisa enxergar a terapia como uma forma de harmonizar seus interesses com os da sociedade e vice-versa, para assim otimizar a sua vida emocional e sexual. É uma forma de compreender e ser compreendido. Ninguém está certo ou errado. Os dois lados só precisam se entender na nebulosa e árdua tarefa da satisfação sexual, adotando um diálogo totalmente franco e radical no sentido de se alcançar maior segurança emocional, o que infelizmente não ocorre nas conversas corriqueiras do âmbito social.

            Este texto têm apenas o caráter de reflexão, sendo que foi baseado na experiência clínica, não tendo nenhuma conotação normativa ou taxativa sobre o assunto. O enfoque será totalmente no homossexualismo masculino. A primeira conclusão do tema para a pessoa realmente honesta é como cada ser humano expõe sua parte homossexual propriamente dita, sendo um completo tabu a discussão de tal questão. Seja biológica ou psiquicamente, todos sabemos que possuímos traços masculinos e femininos que serão desenvolvidos e reforçados perante a tutela de um sistema de valores sociais. Obviamente o sistema vigente condena a prática homossexual e todo o desejo resultante da mesma, lançando estigma e culpa no mais alto grau perante uma pessoa. O interessante é notar como outras questões sexuais são absolutamente desprezadas ou negadas, apenas por não terem qualquer prova de que algumas fantasias sexuais, avançam a certeza de uma determinada escolha sexual.

            Um exemplo disto é o fato de que qualquer pessoa que já trabalhou com a questão da prostituição feminina, sabe que uma das fantasias preferidas pelos homens nos prostíbulos é ser dominado e estimulado via anal por uma mulher, sendo tal fantasia uma forma de realizar seu desejo de dominação pela mesma, seguindo o mesmo caminho ou trilha de uma prática parecida com a homossexual,através de uma maneira que não lhe recaia toda a culpa. Outra variante passiva é ficar extremamente dependente de um relacionamento, ou o ciúmes exacerbado. Se pensarmos em termos de relações e prazer, o homossexual não deixa de ser para o heterossexual, a nível simbólico, uma mulher ideal no imaginário masculino; alguém sem nenhuma culpa ou receio do prazer sexual, e que procura incansavelmente o mesmo; além do que, sexo é uma primazia, e não um jogo de sedução confuso e subliminar.Uma das raízes da repulsa, se encontra exatamente neste ponto, pela descoberta de que outra orientação sexual talvez esteja mais avançada ou ousada no tocante ao prazer.

            Um dos grandes erros da compreensão do homossexualismo, foi justamente se concentrar no estudo das causas, se esquecendo de sua dinâmica. Pouco importa se o homossexual é alguém totalmente fixado na figura materna, como diz a psicanálise, desejando se tornar uma mulher, à fim de se identificar com a maneira pela qual sua mãe lhe proporcionou afeto e amor; ou então, a teoria de CARL GUSTAV JUNG, de que possuímos duas energias sexuais: anima( energia feminina no homem), e ânimus( energia masculina na mulher), sendo que o homossexualismo seria a sobrecarga de uma destas na pessoa. O fato em questão, é que o homossexual assumiu por completo seu desejo de alguém totalmente semelhante para a entrega sexual, estando totalmente enamorado de si mesmo. Necessita através do outro ver e reviver o prazer com o próprio gozo, mas não em termos masturbatórios, mas alguém que espelhe sua maneira peculiar de obter prazer. Aqui podemos falar do tão propalado conceito do narcisismo, embora a conotação que se dá ao mesmo é pejorativa, quando se trata do homossexualismo. O interessante é que ninguém critica a busca desenfreada pela beleza e estética, sendo que a mesma têm a mesma raiz de vaidade e narcisismo, se tornando um produto extremamente solicitado. Se pensarmos na tensão constante das relações entre homens e mulheres, teremos aqui não uma explicação para a prática homossexual, mas, uma reflexão de que para algumas pessoas a excitação se encontra em sua própria imagem projetada em outra pessoa.

            A raiz do preconceito por alguém que tem uma outra orientação sexual explica-se pelo fato de não haver controle sobre o prazer dessa pessoa. A banalização do prazer heterossexual ou até mesmo a ausência dele, faz com que haja um desejo inconsciente de que esse alguém que não compartilha o mesmo desejo seja condenado a ser ainda mais infeliz, por sua orientação sexual e a maneira como busca o prazer. É uma forma de amenizar a própria insatisfação.O preconceito contra o homossexual espelha a incapacidade de lidar com a própria miséria afetiva, além de mostrar a vulnerabilidade do heterossexualismo; não que as pessoas estejam se tornando gays por tais fatores, mas que há, atualmente, um grande hiato no relacionamento entre homens e mulheres, e o mesmo acaba sendo preenchido com ódio contra todos que não seguirem determinado padrão.

            O homossexual é representado via de regra como alguém que possui traços ou trejeitos femininos, sendo uma mulher travestida em um corpo masculino. Embora isto ocorra, temos de enxergar que nosso sistema de valores obriga tal fato, sendo que alguém que têm comportamento sexual diferenciado, deve representar tal papel. Assim sendo, se determinada pessoa adquirir um traço feminilizado, será de certa forma aceita em sua comunidade, já que será objeto de curiosidade ou entretenimento para os demais. Em determinadas culturas primitivas, o homossexualismo era tolerado desde que a pessoa exercesse as mesmas funções de uma mulher. Há uma tentativa de se imputar o papel irônico ou de deboche na escolha sexual, desviando a atenção da essência da questão. Logicamente estou falando da expectativa do preconceito vigente, jamais analisando como determinada pessoa deveria se portar.

            O fato é que a sociedade necessita vestir uma "saia" no homossexual, renegando por completo aquele ser que almeja seu gozo por pessoas do mesmo sexo. Então se conclui que um homossexual com características femininas é feliz pela alegria de sua opção, gay, que em inglês, significa alegre. Qualquer outra representação é vista como escondida ou carregada de conflito ou tristeza pura. O homossexual com traços masculinos é visto como uma pessoa que precisa viver eternamente como se tivesse cometido algum tipo de crime; também é visto como uma terrível ameaça, pois, é um homem comum que coloca em risco nossa certeza heterossexual, sendo que há um perigo extremo de que o mesmo possa despertar nossa curiosidade para outra prática sexual. Se pensarmos historicamente na cobrança pela sociedade de que o homossexual deva assumir sua condição, concluiremos que tal exigência têm o único intuito de rotulação e estigmatização, pois ninguém exige que um heterossexual assuma publicamente suas fantasias sexuais. Novamente falando em preconceito, o "assumir", possui para a sociedade o pretexto para a futura condenação e segregação.

            A questão homossexual não deixa de ser uma das mais árduas batalhas por determinado tipo de prazer, sendo que a orientação para determinado gozo, implicará numa gama enorme de culpa e vergonha por tal iniciativa. A sociedade trata o homossexual como se o mesmo estivesse em um tribunal, tornando público seu mais íntimo desejo privado. O que mais incomoda, não é lidar apenas com a ironia perante a diferença, mas, principalmente o olhar de espanto e indignação. A questão que deveria ser objeto de debate e análise não é determinada prática sexual, mas quantos ainda conseguem investir afetivamente em determinado parceiro; quantos ainda são capazes realmente de amar uma pessoa. Para um melhor entendimento e compreensão da escolha homossexual, os pais deveriam ter em mente que jamais deveriam sentir culpa ou vergonha por um filho com uma outra orientação sexual, mas, que o valor real da criação e educação é a capacidade de uma pessoa ser independente; saber sobreviver e viver em nossos mundo; desenvolver potencialidades que a conduzam numa satisfação por sua criatividade e certeza de contribuir para uma melhora do coletivo em geral. O homossexual jamais pediu a benção da sociedade para seu gozo ou prazer sexual, mas, tão somente, que seu caráter jamais seja julgado por seu desejo. Este talvez seja o maior desafio para o presente e futuro das relações sociais .

            Acho que poucos homossexais frequëntam sessões de terapia por temerem situações embaraçosas como um psicólogo que lhes proponha a conversão para o heterossexualismo ou que os trate como doentes mentais. A própria psicologia lidou de certa forma com preconceito e indignação perante o tema; o que historicamente só agravou o estado emocional do paciente. O homossexual precisa enxergar a terapia como uma forma de harmonizar seus interesses com os da sociedade e vice-versa, para assim otimizar a sua vida emocional e sexual. É uma forma de compreender e ser compreendido. Ninguém está certo ou errado. Os dois lados só precisam se entender na nebulosa e árdua tarefa da satisfação sexual,adotando um diálogo totalmente franco e radical no sentido de se alcançar maior segurança emocional; lidar com o isolamento e angústia, o que infelizmente não ocorre nas conversas corriqueiras do âmbito social.

            Não deixa de ser curiosa a posição de quase todas as religiões contra a prática homossexual. Pois tal fato, além de contrariar um princípio básico bíblico: "amai-vos uns aos outros", sendo que não há referências hetero ou homoeróticas, mas sim o princípio genérico. O fato é que tudo isto esconde que dito mandamento jamais foi e será seguido, enquanto o próprio ser humano não perceber que sempre esteve preso no amor estritamente condicionado, seja à sexualidade, poder ou dinheiro. É uma extrema tolice achar que o homossexualismo é uma opção, pois, ninguém opta por algo que causa tanta consternação, mas, há uma mobilização afetiva e sexual, causada por fatores biopsíquicos e histórico pessoal de vida, que conduzem a pessoa para determinada excitação. Seria interessante uma vez na vida, as religiões tentarem verdadeiramente compreenderem outras formas de amor e prazer, do que a insistência em dogmas rígidos, que como disse antes, quase nunca são seguidos.

            O homossexualismo masculino é um tema que leva o autor para o fio da navalha: se escrever profunda e acertadamente também recairão sobre ele as suspeitas e preconceitos da sociedade. A melhor abordagem será mesmo tratar o homossexualismo como uma das variadas gamas da sexualidade humana.Precisamos entender que a natureza humana não pode ser comparada a prisão do condicionamento, como ocorre na vida de insetos ou outros animais, onde determinado comportamento sexual apenas serve à perpetuação da espécie. O prazer humano é questão totalmente distinta e singular,servindo a outros objetivos mais vastos, do que a simples reprodução de uma espécie. Assim sendo, o homossexualismo nos chama nossa atenção para que jamais nos esqueçamos desta dinâmica.

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