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    Quem é contra?

    — Pergunto eu

 

       Maria da Penha Vieira
       Colaborou: Ana Louvado
       28, junho/2009

 

Encontram-se povos, cuja educação original foi tão viciosa, cujo caráter apresenta mescla tão estranha de paixões, de ignorância e de noções errôneas sobre todas as coisas, que não poderiam discernir sozinhos a causa de seus próprios males: sucumbem sob males que ignoram.
Alexis de Tocqueville
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Porque perdeu a batalha da obrigatoriedade do diploma para o exercício do jornalismo, a Esquerda ataca por outro flanco tentando fazer parecer que ficou satisfeitíssima com a decisão do STF. Não ficou. Para não deixar escapar a frustração por ter perdido, houve até quem amenizasse escrevendo sobre a importância do livre exercício. Daí a alegria em pensar a derrota dos grandes veículos de comunicação.

Os defensores que alardeiam os benefícios para a democracia participativa nunca consegui entender essa língua orweliana —, para a pequena imprensa regional e local desejam livrar-se da pecha de cooptadores e contra isto é que argumentam em defesa dos pequenos veículos da imprensa escrita, como se dizia no meu tempo e no tempo do João, o Ubaldo. Argumentam pelo princípio da justiça que deve ser a tal da social, que vem a significar ausência do Poder Público.

A cooptação da imprensa pelo Estado não é complexo persecutório das Organizações Globo ou de outro grande veículo. É cooptação mesmo, é compra de espaço mais próximo ao ouvido, não do leitor, mas do eleitor. Isso faz uma diferença...! Se o Presidente da República não lê livros porque é chato e quando lê jornal tem ataque de azia, que outro motivo teria para mandar investir na imprensa que ele tanto detesta, senão o motivo de ver morta a grande imprensa que protege as Liberdades? Atende plenamente ao projeto gramsciano tão bem elaborado e até aqui bem executado que é investir em pequenos núcleos. Respeite-se.

Nunca na história deste país se viu um presidente gastar tanto o dinheiro do povo com propagada e publicidade. Com

Para cooptar

 

Este artigo está associado ao tema do Editorial do Jornal O GLOBO.

'No primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, o pendor dirigista e intervencionista de grupos que o acompanham levou o governo a tentar uma operação legislativa para limitar o trabalho da imprensa. Vem daí o projeto de lei de criação do Conselho Federal de Jornalismo, um organismo paraestatal destinado a tolher redações. A reação foi grande, o Congresso criticou, e Lula, com acerto, voltou atrás. É do mesmo período a tentativa de controle da produção audiovisual por meio da Ancinav, outra iniciativa frustrada deste grupo'. Prosseguir leitura

muito mais realce e interesse para a propaganda coonestadora. Sabe-se das mais pérfidas intenções ao jeitão Ahmadinejad, no melhor estilo de indisfarçável trilha para a tirania; sabe-se que estas medidas vêm para o mal.

Felizmente, tirando o claro propósito desavergonhado da cooptação, acho muito saudável para que os grandes veículos procurem subsistir alimentando-se nos seus leitores e na própria iniciativa privada. Este é o lado bom da má-intenção. Ou seja, não mal que não venha para o bem.

Por origem viciosa, é fato que a iniciativa privada, no Brasil, permite-se viver tirando proveito dos cofres públicos. Com a imprensa, no seu todo, não poderia ser diferente. O dinheiro do contribuinte a serviço de interesses meramente propagandísticos dos governos - os governos militares não trabalharam assim - civis, a burocracia da obrigatoriedade de publicar-se até documento perdido fazem parte dos muitos males nos quais sucumbimos por vício e ignorâncias da qual nos fala Tocqueville.

Os jornais foram se esquecendo de que tinham que não somente vender jornal, mas também, que buscar anunciantes para seus lucros. Nos Estados Unidos, atualmente, um dos grandes problemas é sobre a discussão de tributação sobre os lucros dos anúncios. Se o lucro que advém da venda dos jornais são para custeio, os anúncios são para o lucro. Aqui, tudo é diferente e mais custoso. Não há como fazer comparações, nem de longe. Embora sempre estejamos insistindo, muito mais por uma chance de alguma esperança.

Não poderemos ser contra a imprensa trabalhar fora do alcance das garras do Estado, sejam elas garras federal, estadual ou municipal. Não podemos ser contra a imprensa livre, sem ter que cortejar este ou aquele governo no plantão. Aqui, hoje, começou este caminho para a liberdade de imprensa. O GLOBO sendo o mais visado , em algumas páginas internas, ostentou diagramação pouco usual em função dos novos anunciantes.

Os anunciantes laterais chamam mais a atenção. Um anunciante lateral foi Ventanas Nature Resort, na página 29, editoria/Economia. Outro, assim que me lembre foi a Tok&Stock na página 8, juntamente com a TAM . Nas diversas páginas: anunciante do ramo imobiliário a ETNA, na página 19, editoria/Rio. Na página 4, a página da coluna do Merval Pereira, anúncio dos supermercados Guanabara. Página inteira para o empreendimento CEO- Centro empresarial do Rio. Página 14 editoria Rio, anúncio da FLIP; também na mesma editoria anúncio da Citroen. Abrindo a Economia, as jóias da Monte Carlo. Na pagina desperdiçada com o Porra, anúncio do condomínio Le Quartier(lateral) mais anúncio da revisão da Chevrolet. Só para dar um exemplo de que se as agências de propaganda e publicidade forem trabalhadas trarão resultados que se traduzirão em Liberdade de imprensa.

Devemos, todos, estar muito felizes pela decisão do Presidente Lula. Uns estão felizes por pensarem que a liberdade de imprensa será assassinada e nós estamos felizes por reconhecer o caminho que a imprensa terá que percorrer para provar o sabor de ser livre, de poder ser chamada de iniciativa privada.

Se os Lulas e companheiros achavam a imprensa um inconveniente a ser abatido agora eles, seguindo o Estado de Direito, não poderão mantê-la cativa. Não por isto. Por certo que ninguém vai achar que eles não irão buscar outras formas de compressão, via Ministério do Trabalho, Receita Federal e outros tantos.

Se amordaçada pelos anúncios estatais a Imprensa já incomodava o Rei, imagine-se atuando verdadeiramente como Iniciativa Privada?

 

 

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