Encontram-se
povos, cuja educação original foi tão viciosa, cujo caráter
apresenta mescla tão estranha de paixões, de ignorância
e de noções errôneas sobre todas as coisas, que não poderiam
discernir sozinhos a causa de seus próprios males: sucumbem
sob males que ignoram.
Alexis de Tocqueville.
Porque perdeu a
batalha da obrigatoriedade do diploma para o exercício do
jornalismo, a Esquerda ataca por outro flanco tentando fazer
parecer que ficou satisfeitíssima com a decisão do STF. Não
ficou. Para não deixar escapar a frustração por ter perdido,
houve até quem amenizasse escrevendo sobre a importância do
livre exercício. Daí a alegria em pensar a derrota dos grandes
veículos de comunicação.
Os defensores que
alardeiam os benefícios para a democracia participativa
nunca consegui entender essa língua
orweliana , para a pequena imprensa regional e local
desejam livrar-se da pecha de cooptadores e contra isto é
que argumentam em defesa dos pequenos veículos da imprensa
escrita, como se dizia no meu tempo e no tempo do João, o
Ubaldo. Argumentam pelo princípio da justiça que deve ser
a tal da social, que vem a significar ausência do Poder Público.
A cooptação da imprensa
pelo Estado não é complexo persecutório das Organizações
Globo ou de outro grande veículo. É cooptação mesmo, é
compra de espaço mais próximo ao ouvido, não do leitor, mas
do eleitor. Isso faz uma diferença...! Se o Presidente da
República não lê livros porque é chato e quando lê jornal
tem ataque de azia, que outro motivo teria para mandar investir
na imprensa que ele tanto detesta, senão o motivo de ver morta
a grande imprensa que protege as Liberdades? Atende plenamente
ao projeto gramsciano tão bem elaborado e até aqui bem executado
que é investir em pequenos núcleos. Respeite-se.
Nunca na história
deste país se viu um presidente gastar tanto o dinheiro do
povo com propagada e publicidade. Com
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Para cooptar
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Este artigo está
associado ao tema do Editorial do Jornal
O GLOBO.
'No
primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da
Silva, o pendor dirigista e intervencionista
de grupos que o acompanham levou o governo
a tentar uma operação legislativa para limitar
o trabalho da imprensa. Vem daí o projeto
de lei de criação do Conselho Federal de
Jornalismo, um organismo paraestatal destinado
a tolher redações. A reação foi grande,
o Congresso criticou, e Lula, com acerto,
voltou atrás. É do mesmo período a tentativa
de controle da produção audiovisual por
meio da Ancinav, outra iniciativa frustrada
deste grupo'.
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leitura
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muito mais realce
e interesse para a propaganda coonestadora. Sabe-se das mais
pérfidas intenções ao jeitão Ahmadinejad, no melhor estilo
de indisfarçável trilha para a tirania; sabe-se que estas
medidas vêm para o mal.
Felizmente, tirando o claro propósito
desavergonhado da cooptação, acho muito saudável para que
os grandes veículos procurem subsistir alimentando-se nos
seus leitores e na própria iniciativa privada. Este é o lado
bom da má-intenção. Ou seja, não mal que não venha para o
bem.
Por origem viciosa,
é fato que a iniciativa privada, no Brasil, permite-se viver
tirando proveito dos cofres públicos. Com a imprensa, no seu
todo, não poderia ser diferente. O dinheiro do contribuinte
a serviço de interesses meramente propagandísticos dos governos
- os governos militares não trabalharam assim - civis, a burocracia
da obrigatoriedade de publicar-se até documento perdido fazem
parte dos muitos males nos quais sucumbimos por vício e ignorâncias
da qual nos fala Tocqueville.
Os jornais foram
se esquecendo de que tinham que não somente vender jornal,
mas também, que buscar anunciantes para seus lucros. Nos Estados
Unidos, atualmente, um dos grandes problemas é sobre a discussão
de tributação sobre os lucros dos anúncios. Se o lucro que
advém da venda dos jornais são para custeio, os anúncios são
para o lucro. Aqui, tudo é diferente e mais custoso. Não há
como fazer comparações, nem de longe. Embora sempre estejamos
insistindo, muito mais por uma chance de alguma esperança.
Não poderemos ser
contra a imprensa trabalhar fora do alcance das garras do
Estado, sejam elas garras federal, estadual ou municipal.
Não podemos ser contra a imprensa livre, sem ter que cortejar
este ou aquele governo no plantão. Aqui, hoje, começou este
caminho para a liberdade de imprensa. O GLOBO
sendo o mais visado ,
em algumas páginas internas, ostentou diagramação pouco usual
em função dos novos anunciantes.
Os anunciantes laterais
chamam mais a atenção. Um anunciante lateral foi Ventanas
Nature Resort, na página 29, editoria/Economia. Outro,
assim que me lembre foi a Tok&Stock na página 8, juntamente
com a TAM . Nas diversas páginas: anunciante do ramo
imobiliário a ETNA, na página 19, editoria/Rio. Na
página 4, a página da coluna do Merval Pereira, anúncio dos
supermercados Guanabara. Página inteira para o empreendimento
CEO- Centro empresarial do Rio. Página 14 editoria
Rio, anúncio da FLIP; também na mesma editoria anúncio
da Citroen. Abrindo a Economia, as jóias da Monte
Carlo. Na pagina desperdiçada com o Porra, anúncio do
condomínio Le Quartier(lateral) mais anúncio da revisão
da Chevrolet. Só para dar um exemplo de que se as agências
de propaganda e publicidade forem trabalhadas trarão resultados
que se traduzirão em Liberdade de imprensa.
Devemos, todos,
estar muito felizes pela decisão do Presidente Lula. Uns estão
felizes por pensarem que a liberdade de imprensa será assassinada
e nós estamos felizes por reconhecer o caminho que
a imprensa terá que percorrer para provar o sabor de ser livre,
de poder ser chamada de iniciativa privada.
Se os Lulas
e companheiros achavam a imprensa um inconveniente a ser abatido
agora eles, seguindo o Estado de Direito, não poderão
mantê-la cativa. Não por isto. Por certo que ninguém vai achar
que eles não irão buscar outras formas de compressão, via
Ministério do Trabalho, Receita Federal e outros tantos.
Se amordaçada pelos
anúncios estatais a Imprensa já incomodava o Rei, imagine-se
atuando verdadeiramente como Iniciativa Privada?
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