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Por
muito tempo o escritor norte-americano William Faulkner
(1897 -1962), foi considerado um escritor menor devido a
sua “classificação” de autor Regional. Superou o preconceito
corroborado que foi pelo Prêmio Nobel de Literatura em 1949
com o livro Enquanto eu Agonizo. William Faulkner,
no tocante livro Luzes de Agosto, descreve a perversidade
dentro da população local de um condado, para nós, o equivalente
ao nosso município, guardadas as devidas e fundamentais
diferenças do Sistema Federativo que nos separam.
William Faulkner
nascido no Sul dos Estados Unidos da América, numa pequena
cidade do interior do Estado do Mississippi, era co-partícipe
e vítima. Por estas características de interiorano foi que
Faulkner pode alimentar seus personagens de Luzes de Agosto,
retratando a ignorância e a crueldade da população e poderes
locais que foram descritos como uma relação de dupla intriga
e as ações paralelas. Cria-se com muito mais facilidades situações
trágicas que atormentam a vida da população municipal. dos
três níveis de poderes executivos, o municipal é o mais cruel.
As relações de dupla
intriga e ações paralelas, na atualidade, resultam da promiscuidade
dentro da máquina municipal através de seu corpo, deformado,
de servidores. Esse corpo dividido entre concursados e o chorume.
O chorume, por sua vez, é composto de apaniguados – assistentes
de aspones e outras classificações -, que vieram com cada
prefeito do passado e a cada novo prefeito, vai crescendo.
A cada novo prefeito corresponde nova leva de chorume que
é deixada para trás na maioria das vezes muito mais para manter-se
com poder fora do comando. É desse corpo total que brotam
os espiões, facilitadores de ilícitos e vingadores.
É com este corpo
necessitado de oxigenação de moralidade que os prefeitos contam
para administrar suas cidades. Se o prefeito for conivente,
ótimo para ele. Do contrário esta máquina tem capacidade para
levantar toda uma população contra ele próprio. A máquina
pode sim, trabalhar contra o próprio prefeito e ele sabe disto
e é por isto que, os que sabem estão sempre preocupados com
a “satisfação” dos chamados servidores públicos municipais.
Satisfeito, o funcionalismo ergue a barreira de proteção ao
prefeito trabalhando contra os habitantes locais. O caldo
do funcionalismo municipal, porém, tem suas divisões endentadas.
Esses grupos se dividem e sub-dividem-se:
uns trabalham com o prefeito, outro trabalha contra o prefeito
e ainda outro, trabalha pelo político dono do loteamento
vereador tal , deputado estadual fulano ou federal beltrano
e recebe extra por seus serviços. Não raro, há formação
de grupos que dão atendimento a vários segmentos da iniciativa
privada e indivíduos autônomos com interesses específicos,
apontando bons negócios à vista, ou, ao mesmo tempo em que
trabalham para produzir os bons negócios para seus clientes
da iniciativa privada. Eles têm suas ligações person to
person com a máquina estadual e grandes e fortes parcerias
que atendem os interesses do grupo de cada um. Ficam, então,
imbatíveis, não importando se o prefeito faz bico para o governador
e vice-versa. Enquanto os chefes dos dois governos se bicam,
se for o caso local, o pessoal dirige a máquina. O pequeno
grupo dos honestos servidores, silencia, marca passo profissional
e vive desiludido sonhando com a aposentadoria que o libertará.
A máquina de triturar
habitantes locais, com poder de polícia justiceira, em qualquer
que seja o tamanho do município, assusta habitantes que não
se expõem por puro medo de serem perseguidos. E serão, sem
tréguas, caso se insurjam. Uma reclamação pública, por menor
que seja, valerá uma boa caçada ao atrevido pagador de impostos
inadimplente ou não. Um habitante que reclame de setor da
limpeza urbana, não vai demorar, e algum crime lhe será imputado:
multa por lixo hospitalar em sua residência. Gaze usada
não pode, se for da vontade do tirano.
Nesse universo real
do poder municipal vivem confinados milhões de brasileiros
pagadores de impostos. Cometem supostos crimes, são apenas
sombras impotentes e não tem rostos; fogem às cegas para lugar
algum. Essas sombras correm de tolas porque, há capilaridade
suficiente no corpo denso da máquina municipal que os encontrarão
com suas luzes de infravermelho de janeiro a dezembro, do
verão ao inverno de suas vidas.
Da máquina municipal,
no interior do Brasil, saem as mordaças aos pequenos veículos
de comunicação, rádio e jornais; e eis o motivo pelo qual
os jornalistas locais são manietados, principalmente pela
escassez de veículos que acolham os desempregados da comunicação.
Os proprietários sofrem muito mais se abrirem suas páginas
para denúncias. Sofrem toda espécie de perseguição e de fiscalização
além de perder anunciantes do poder público. Querer saber por
qual motivo determinados Òrgãos municipais e suas secretarias
não funcionam. Escarafunchar e denunciar, só se o pagador
de impostos tiver perdido a noção de perigo. Quase sempre,
nesta máquina independente, os gatos da casa municipal, trabalham
em benefício próprio de forma individual quando fornecem dados
sobre os habitantes para fins irregulares ou em grupos distintos;
mesmo quando parecem proteger o nome do Prefeito a quem deram
apoio momentâneo.
Nada disto ocorre
com simulacro. Acontece acintosamente, certos que estão de
não serem localizados e se, não punidos. Você está sendo punido
por ter se “metido” com eles. O “cala a boca' mais eficiente.
Não se pode deixar de compreender porque a população não se
toma de vergonha e parte para correta ação de tomar conta
de seu município. Imaginem um pagador de impostos querendo
acompanhar as alocações de verbas do Orçamento da União municipal?
Sem dúvida serão logo “encomendados” e atropelados.
Então, os habitantes
de um município vivem uma espécie de cárcere privado da liberdade
de expressão — e a baboseira da cidadania se revela puro cinismo
—, com um grande grupo de carcereiros institucionais remunerados
pelo próprio pagador de impostos e previsto por legislações,
cuidando das chaves das selas.
Com o advento da
internet, por meio da qual as pessoas se manifestam tudo isto
ficou muito mais contundente. Com a mesma velocidade que se
divulga fatos e denúncias, na mesma velocidade chegam os avisos
de “fecha essa boca...senão...”, e chegam diretamente ao emissor,
entregues na porta física, em forma de multas forjadas. Se
for o caso de o denunciante ter dívida ativa com o município
ou com o estado, sinta-se logo perdido e indo a leilão público.
É aqui que os grupos diversos se encontram e finalizam suas
operações casadas que foram bem planejadas para punir, vingar,
locupletar autônomos e fazer caixa para as próximas
eleições.
Velocidade
da internet,
faca de dois gumes
Se algum leitor
fizer parte de lista de discussão em grupos comuns, ou de
associações de classes e bairros, fiquem atentos ao silêncio
da maioria quando alguns temas “inconvenientes” que surgem
beiram o perigo que é a manifestação contra o poder local.
Percebe-se logo que estão morrendo de medo. Nestas listas
se infiltram olheiros dos serviços públicos que lá estão para
descobrir filões. Esses filões são pessoas com características
econômicas e financeiras que quando perseguidos, supostamente,
darão grandes ganhos. Ou, uterinos ideólogos em busca
de vingança. Quase todos estão muito mais para “ouvir” do
que para “falar”.
Ainda sobre as listas
de discussões, na maioria das vezes, estão políticos e pessoas
perigosas que vão tomar conhecimento de suas posições em cópia
oculta. Se o assinante do grupo não tiver mesmo coragem, não
se manifesta e quem o faz é por não temer toda sorte de represálias
ou por pura espionagem. Desconfiem dos que se calam e dos
reticentes que ficam em cima do muro.
(
* ) Maria da Penha Vieira.
Jornalista profissional, Executiva do Dominio Feminino e sócia
da Corpo da Letra Editora. Trabalhou na Esquire Propaganda
e Publicidade com Fernando Barbosa Lima. A convide do Jornalista
Narceu de Almeida tranferiu-e para a Bloch Editores, Revista
Fatos&Fotos, onde estagiou como repórter. Elle&Ela,
Desfile e Pais e Filhos.
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