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        Não é da sua conta, mamãe

 

          Odemiro Fonseca ( * )
          23 de outubro de 2008

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Uns quinze anos atrás, uma mãe parisiense foi matricular seu filho numa escola pública. Foi recebida por simpático diretor. Mas a mãe começou a fazer perguntas e o diretor mudou de humor: “Vá para casa, mamãe. Nós somos especialistas em educação. Sabemos cuidar do teu filho”.


Relatório de trinta anos atrás descrevia alunos sul coreanos fazendo deveres em suas casas. Sentados com os alunos estavam os pais. Continuavam lá sentados mesmo quando não conseguiam mais ajudar nos deveres..


Alguns testemunhos de Andres Oppenheimer sobre sua recente visita à China: educação é o principal valor das famílias e a educação privada explode. Cerca de duzentos e cinqüenta milhões de crianças e adolescentes estudam inglês. O jornalista assistiu aulas. Edifício simples, métodos ortodoxos e alunos sentados nas primeiras filas. Mas o que chamou atenção do jornalista foi que no fundo das salas estavam sentados muitos adultos. O diretor explicou. Eram pais, avós e tios e outros parentes dos estudantes.


Há enorme preocupação no Brasil com a ineficiência do nosso sistema educacional. O diagnóstico é de ser gerencial o nosso problema. As propostas são de se privilegiar eficiência de diretores e professores. Mas não usando incentivos enraizados como existem em mercados abertos, porém através de critérios e mímicas desenvolvidas por especialistas e burocratas.

São propostas de fracasso fácil. Por mais refinados que sejam tais sistemas, o processo político tende a destruí-los. O mais grave é a visão da educação como não sendo da conta da família, como na visão do diretor francês. É inacreditável como os relatórios dos especialistas ignoram as famílias. Mas somente a família pode dar valor à educação de seus filhos e fazer escolhas. As famílias que tem renda já fazem tais escolhas. Porque não dar poder às famílias pobres, dando-lhes dinheiro e liberdade de escolha?


Os defensores do sistema estatal puro usam dois argumentos. Um é que pelo mundo, a educação é pública. O outro é que as experiências com bolsas são inconclusivas. Ambos argumentos não se sustentam. As melhores escolas públicas pelo mundo resultam de sua captura pelos pais. Tais pais usam dinheiro e influência política. Nos ricos bairros americanos, os pais pressionam seus representantes, pagam consultores, viagens internacionais, cursos extras. A pressão dos pais está virando um problema. A gauche caviar em Paris defende escola pública para o povo, mas coloca os filhos em escolas privadas ou exerce enorme pressão para que as escolas públicas dos seus filhos sejam boas. Como os colégios de aplicação por aqui. E com relação às experiências com bolsas, é sempre dinheiro carimbado, com muitas restrições e pouquíssimas opções para os pais. Nos EUA são também experiências destinadas a resolver antigos e enormes problemas criados pelas escolas públicas. A escola pública pelo mundo é como a universidade pública no Brasil; concentradora de renda, pois a melhor educação vai para os ricos.


Bill Gates depôs em Março no Congresso dos EUA sobre competitividade em ciência e tecnologia. Contra a visão estatizante e protecionista de alguns deputados, Bill Gates foi enfático. “A educação deve ser livre, descentralizada, experimentadora, ligada a empresas. A imigração e o comércio internacional devem ser desimpedidos. São tais liberdades que tornam os EUA líder nesta área”.


Como terminam as histórias lá do início do artigo? A mãe francesa colocou o filho numa escola privada. A Coréia, que já foi sinônimo de pobreza no Brasil, ficou rica. E os chinesinhos estão indo pelo mesmo caminho. Sem liberdade e sem escolha dos pais, a educação se torna medíocre e inútil.

 

 

Sobe

 

 

 

 

Origem do presente documento: http://www.institutomillenium.org
Odemiro Fonseca é empresário

 

 

Sobe

 

                    

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