Mães
que amam demais
Maria Luiza
Curti
Psicóloga clínica
– crp. 14/01733-1
Comunique-se
15, Setembro/2003
onge dessa mãe
pensar que seu superprotegido amor dedicado ao filho, possivelmente,
seja a causa de grande parte da sua desgraça. Há mães que
amam demais seus filhos e não percebem que o colocam num lugar
de incapacidade. Tudo ela faz demais para ele, afasta todos
os obstáculos possíveis do caminho do filho e, os impossíveis,
ela também tenta remover.
Quando o pai
tenta educar aquele folgado (que ela fabricou), ela simplesmente
o impede de exercer, na hora necessária, a autoridade paterna.
Aquela criança
superprotegida, por quem ela ia a toda hora brigar com os
professores na escola, porque, invariavelmente, o "perseguiam";
que, com muita razão, segundo ela, quebrava sem dó a cara
dos coleginhas, porque eram todos muito ruins e o viviam importunando,
hoje cresceu. É, praticamente, um adulto, só não se porta
como tal porque o amor desmesurado da sua mãe não deixa.
Mesmo depois
de crescido, a mãe continua cercando-o de todo tipo de proteção
imaginável; quando ele, já na faculdade, se descabela porque
tem que fazer um trabalho, ela paga para alguém fazer e ele
entrega ao professor, com a maior "cara-de-pau", como se fosse
de sua autoria.
Se pedir à mãe
que minta para sua namorada, dizendo que o folgado está dormindo,
quando na realidade saiu para uma farra, ela nem pisca e mente
sem corar de vergonha.
Quando o pai
quer passar uma reprimenda no garotão por mais uma reprovação
no curso, ela faz uma defesa fervorosa, dizendo que os professores
perseguiam o coitadinho; que perdeu muitas aulas, pois não
andou bem de saúde durante o ano...
Depois de uma
vida acadêmica conturbada, finalmente, esse filho da mãe que
ama demais, vai para o mercado de trabalho e é aí que, efetivamente,
vai ser testado pela vida.
Na melhor das
hipóteses, poderá ser um adulto vacilante, sem nunca assumir
responsabilidades, pois adquiriu uma personalidade totalmente
dependente e; é possível que se torne uma pessoa incapaz de
funcionar adequadamente sem o auxílio de outras pessoas. Faltam-lhe
ambições e objetividade. Pode, também, se tornar um adulto
folgado, daquele que acha que todos têm que fazer tudo por
ele.
Como uma das
piores hipóteses, poderá vir a ser um adepto da "lei de Gerson",
achando justo levar vantagem em tudo, passando por cima de
quem estiver em seu caminho. Há possibilidade de ser uma pessoa
insensível, moral e eticamente, irresponsável, superficial,
arrogante, fraudador, rebelde à autoridade.
Seja lá por
culpa, ou por que razão for, claro que não é intenção da mãe
que ama demais, prejudicar seu filho com sua superproteção.
Ela, ao contrário, não tem noção do mal, e se acaso passa
esse pensamento pela sua cabeça, rapidamente o afasta, pois
não consegue se controlar e continua colocando-o nesse lugar
de incapacidade para que ele não corra riscos.
A mãe que ama
demais intoxica, prejudicando seu filho como a que ama de
menos..
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