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Maria Luiza Curti é psicóloga, generosa colaboradora do Domínio Feminio. Luiza escreve sobre temas diversos e tem muita leveza na abordagem dos assuntos tratados.

 

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     Adriana Murin
     04, Novembro/2004

 

Dominio Feminino
   
 

Sugestão de leitura:
Culpa para quê serve?

          Fico observando a minha volta, sobrinhos, filhos de amigos, jovens casais de namorados pelas ruas, nos shoppings e já assisti a dúzias de cenas que me fez querer dizer alguma coisa sobre o assunto namoro e brigas de namorados.

          Outro dia, enquanto aguardava uma vaga em um estacionamento de um shopping fui atraída pela voz de uma jovem falando ao celular. O carro praticamente ao lado do meu. A mocinha não se fazia entender para alguém do outro lado da linha. Após aguçar meus ouvidos de "tia", espichando bem o pescoço ( bem que eu merecia ter tido um torcicolo ) e as "oiças" fui me concentrado até não ouvir mais nada além da conversa. Preparava-me para a espera da vaga abrindo meu embrulhinho com duas cocadas bem douradas que havia comprado na "baiana" da orla da praia e me deliciava com o gostinho do coco açucarado se dissolvendo na saliva.

          A altura da voz da jovem mulher estava a meu favor, conspirando contra meus princípios de nunca ouvir conversas alheias. Cada vez mais alta até gritar enlouquecida, desfazer-se em gesticulações desmedidas, ora abanando as duas mãos ora com o dedo em riste. Bom, ela está no viva voz. Para encurtar o caminho, entendi que estava se dedicando a torturar o namorado. "...nunca faz o que eu digo! Olha eu aqui, te esperando...é sempre assim. Ocupado, com o quê?! ...é...vive ocupado...não...não continua. Fiquei esperando no teu escritório...e olha que eu tinha avisado que ia lá...te dei outra chance marcando aqui no shopping e no que deu, heim, ainda no escritório.

          Não sei o que ele estava falando, mas pela resposta ele pedia para que ela fosse para um bar ou coisa assim. A resposta dela, já histérica "....e quanto de trânsito vou pegar até lá a essa hora, tem noção ?!!!". Vou ficar bebendo sozinha até cair porque você vai levar um ano pra aparecer. Não, não vou a lugar algum. Vou ficar aqui esperando você, ou você vem ou não precisa se incomodar nunca mais, ameaçou. O interessante está sendo relembrar a frase: '...nunca faz o que eu digo".

          Fiquei pensando no coitado, sentindo-se culpado por estar causando tanta infelicidade, tentando se livrar do computador, do telefone, do chefe, fazendo tudo mal feito e preocupado com aquela maluca. Imaginei a cena com algum colegas ouvindo. Bem feito para ele! Via-se que a moça era de pegar no pé, de atanazar as idéias de qualquer homem que não obedecesse ao gosto dela. Ela havia dado alguma ordem que o mancebo não cumpriu à risca. Pelo tanto e pelo tempo em que ele esteve aturando tudo aquilo, pude deduzir que deveria gostar muito ou ser um prisioneiro da neurose dela. Sugerimos a leitura do artigo da psicólogoga Maria Luiza Curti, Culpa: para quê serve?.

          Por tanto tempo ou o tempo foi generoso comigo que terminei de saborear as cocadas, recordar meus tempos de namoro jovem com meu marido. Quantas vezes parávamos em locais mais idiotas do mundo só para nos lambuzarmos de sorvete de casquinha de biscoito. Eu acabava o meu e ficava feito cachorrinho esperando a casquinha que ele não gostava porque dizia que aquilo era de plástico. Dizia isso só para se divertir e nós ríamos juntos feito crianças. Depois ele segurava a casquinha para que eu fosse mordendo enquanto desfiávamos uma conversa sem-fim. Gostávamos tanto de hambúrgueres do MacDonalds quanto de cocadas compradas no calçadão da praia nos fins de semana, quando algumas horas do dia e outras poucas da noite eram só para simples diversão e encontro com amigos. Durante a semana, trabalho e estudo, para os dois. Um ou outro telefonema: saudades, saudades, te amo, desliga você primeiro.... Tudo sem máximas, somente muita espera pelo final de semana seguinte.

          Como consegui uma vaga atrás do meu carro, fiz ré, estacionei e perdi o resto da história. Mas o que ouvi era mais do que suficiente, juntando com o tanto de outras situações que já presenciei. O resto sabia de cor. No caso dessa moça do estacionamento pensei que ela parecia que adotava máximas de vida inquebrantáveis, parâmetros cheios de enganos que geram atitudes e comportamentos sujeitos a infelicitarem suas vidas. A máxima dela poderia ser: nunca permitir que o namorado se atrase para nenhum encontro, nunca permitir que ele não cumpra o que ficou estabelecido, não importando se ele poderia ou não atende-la. Se a máxima não-cumprida ao pé da letra não infelicitava de todo, com, certeza, raros seriam os momentos de paz e prazer, entre ela e o coitado do namorado.

          Por que tanta briga ?

          Quando o homem ou a mulher tenta a "domesticação" do seu par, por imposição de personalidade, acaba por ferir a si mesmo e ao outro.

          Quanto às imposições, elas são empregadas de várias maneiras, de forma sutil ou na pata-de-elefante. Na base da chantagem, do excesso de críticas, ou da ameaça direta. Chantageando acabar o namoro é a mais comum e a mais cruel. Se hoje a chantagem é ameaçar acabar o namoro, amanhã, se separada, a mulher vai ameaçar proibir o pai de ver o filho ou coisa no gênero.

          O que ninguém observa é que aí está uma forma de aprendizado da violência entre casais. Aparentemente o que se chama de "briguinha de casal" muitas vezes não é briguinha, tamanho é o peso das agressões, transvestidas de explicação - "brigamos porque nos amamos muito"!. E não é tão-somente briguinha porque naqueles casos em que elas se repetem com muita freqüência, desde o início do namoro, sempre foram brigas para valer. Brigas que tornam-se torturantes para ambos, ou, mais para o que sofre a tortura do que para o que a pratica. Não é uma coisa tão-inocente e de acordo com a freqüência, caracteriza-se em uma relação doentia, neurótica.

          Inicialmente as brigas vão se encorpando ao passar de simples amuo para palavras ásperas. Com a repetição passam à alteração do tom de voz. Xingamentos e palavrões. Desrespeito total até que chega a inexorável hora do estapeamento. Em sua maioria, estão assim os jovens casais de namorados. A relação sado-masoquista que se revela ao abrir feridas para lambê-las depois. De um lado o sadismo do ferir, do outro o masoquista que exibe a ferida para ser lambida.

          Quando ocorre de um não se enquadrar no perfil de masoquista, a primeira briga já serve como vacina ou para criar calo. A segunda, já não dói tanto quanto a primeira. As seguintes só servem para preparar um do par para o descontentamento, para a insatisfação e até que chega a hora de ver-se livre da tortura das brigas. O fim do namoro ganha significado de caminho para a liberdade e para a paz.

          Nas motivações para as brigas

sempre se lança mão de explicações e justificativas fáceis, esfumaçamento dos motivos bem distante dos verdadeiros que é culpar o outro. E o que é verdadeiro? Possivelmente, nesses casos, no casal, um do par tende à dominação, tende ao controle das situações, tende à imposição de suas vontades. Se o outro é excessivamente passivo, tudo vai ficar bem, e poderão chegar até ao casamento neurótico. Considerando-se que o outro não seja excessivamente passivo, nem ao menos passivo, a rota de colisão é matematicamente certa. Verdadeiro é que, um, mais do que o outro não sabe lidar com a frustração de ver sua vontade não atendida.

          Todos esses motivos podem estar passando pelo ciúme, pelo egocentrismo, sentimento de inferioridade, tudo que sinaliza para a insegurança, para a falta de maturidade emocional gerada pela carência afetiva, experiência de vida. E o outro que agüente o tranco.

          Por dentro dessas questões de inseguranças correm nos subterrâneos, outras: diferenças de valores, diferenças intelectuais, culturais, sociais, econômicas, financeiras, diferenças de idade, diferenças de educação, diferenças de vivências, tudo ao mesmo tempo e mal administrados. Muitos e variados desníveis. Difícil aqui é que um do par saiba fazer a leitura correta, de maneira reflexiva.

          Personalidade e temperamento são resultados, e, quando o casal apresenta o mesmo denominador, os mesmos traços de personalidade e temperamento além de não conseguir, cada qual sozinho, administrar seus problemas, aí, não tem lugar para fugir. É admitir a total incompatibilidade e bye. Vai doer, mas é melhor não insistir, porque a cada dia a relação será mais amargurada, mais doente.

          Mas, para valer mesmo

é o fato de que o jovem casal está queimando sua etapa de enamoramento. Está suprimindo a fase de descobertas de forma lenta, numa lentidão natural. Todos os dias acham que precisam se ver, ficar colados um no outro, chicletando. A vida marital é um veneno para essa fase da vida e pela própria experiência marital precoce, deixa de ser "fase de namoro". Comer a cocada antes do almoço. Ao mesmo tempo que descobrem as qualidades um do outro, antecipadamente, descobrem as imperfeições e se aborrecem com elas porque os defeitos são muito mais ampliáveis e mais sentidos do que as qualidades.

          Namorados de hoje já dormem e acordam juntos, se telefonam várias vezes ao dia. Não há vida conjunta que suporte. O ideal seria que os namorados seguissem suas vidas, com suas ocupações, vivendo seu individual, sem invasões que comprometessem essa etapa da vida a dois. A namorada muitas vezes já vai levando, aos poucos, algumas peças de primeira necessidade para a muda e acaba por esquecer na casa do namorado. Depois vai levando "coisas que podem ficar aqui" para uma emergência. E assim, vai colando por imposição.

          Pensando bem, o pessoal fica tão colado que nem há tempo para se sentir saudades. O distanciamento físico aumenta o desejo. Ninguém se lembra de raciocinar nessa direção. O que cola mais sufoca e depois vai reclamar que o outro não liga, não sente saudades. Pudera.

          Nas meninas, esse chicletar não desperta nenhuma idéia de que a família do sujeito está sendo violentada, invadida. Toda a família se ressente com presença de um estranho, com tanta continuidade, que perde toda sua privacidade. Todos da família precisam ter cuidados para falarem das coisas que só dizem respeito à família. O simples ato do pai ou da mãe ter que repreender uma filha ou filho na frente da namorada do irmão já é um desconforto geral.

          Que os namorados experimentem diminuir a freqüência dos encontros e vejam como é muito mais gostoso quando a expectativa funciona como adrenalina, aumentando o desejo da presença do outro. Uma boa fórmula de fortalecimento e renovação da convivência.

          Alguns poucos meses de namoro nos tempos atuais, equivalem a vários anos de vida conjugal nas gerações anteriores. Casados, os namorados atuais logo cedo partirão para outras experiências.

 

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