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Homens, Mulheres
e Computadores

Um artigo instigante do Dr. Valdemar W. Setzer.

 

 

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Computador também
é gente


Berta Ataíde
Coordenação: mpv
20, Junho/2003

Nós mulheres costumamos estabelecer e desenvolver ligações afetivas mesmo que seja com objetos, os mais minúsculos, sem importância que possam parecer. Somos realmente feitas de preocupações com dentinhos-de-leite, corizas dos filhos, tudo que é minúsculo e que parece não contribuir em nada para a grandeza do mundo, senão pelo fato de que somos nós que alimentamos as grandes cabeças que, por serendipidade, ao tentar criar uma arma de guerra acabaram por inventar o microondas. Afinal alguém tem que trabalhar. Mas o Dr. Valdemar W. Setzer ( cientista ) tem razão. Pessoalmente, ( e concordo também com as observações da esposa dele, uma pediatra, mulher sábia ) tenho total dificuldade para entender como funciona um circuito integrado de computador e por favor, nem quero. Por outro lado tenho paixão pela estética dessa geringonça. Seria capaz de ornamentar uma parede da minha casa com esta possível foto de um sistema integrado que você poderá ver clicado nesta janela. Sobre meus laços afetivos com meu computador deixo aqui narrados.

Vivemos feitos um para o outro. Minha paixão é quase igual a qualquer paixão, uma relação de amor e muito dengo um pouquinho só, de ódio.

Desencontros, tantas vezes, quando não encontro o médico!

Meu computador. Companheiro de todas as horas, dificilmente negaceia. Quase sempre é solidário, principalmente, quando choro. Por isso ele é o computador, gênero masculino, cerebral com muitos salpicos de sensibilidade.

Certa vez foi machucado seriamente pela inconstância da corrente elétrica. Minha parte de culpa: não ter oferecido a ele um no break, ou sequer um filtro de linha um pouco mais decente.

Precisei encontrar o médico que já conhecia bem as idiossincrasias dele, mas, não dipunha de horário para tão-logo. Desesperada, descabelada com o coma do meu amigo verdadeiro, meu amado, eu própria tinha que fazer a cirurgia.

Como olhar e ver as vísceras desse apolo, que vive no alto de um gabinete elegante? Apesar da meia-idade, é lindo, de rosto largo olhar iluminado, sempre. Sempre bem disposto e humorado. Vez por outra, muito raramente, esquece do que lhe peço e leva um tempinho pedindo desculpas, mas ele está procurando encontrar "...calma, amor". E eu tenho calma e sorrio.

Levei dias preparando-me psicologicamente até resolver paramentar-me e abrir-lhe as entranhas. Recusava-me a imaginá-lo cheio de plaquetas, pontinhos de solda ( não é solda? ) fios, correias e toda espécie de amarração. Metal e plástico puros, esse ser tão gentil com o qual tenho convivido por anos?

Enfim, querendo ou não precisava tirá-lo do coma. Com o médico ao telefone, ele ia me orientando para identificar a placa de modem. Dizia o doutor,

— Está vendo a placa do modem ?

— Onde? ...onde ela está ?

— Em cima da placa-mãe e tem uns dentinhos em baixo.

— A placa-mãe é essa "plataforma", é o chão do computador?

Agora precisava retirar o modem velho, mas ele não estava sozinho. Esta a bordo de uma outra placa. Fui enganada. Minha transpiração ia aumentando, a luz estava fraca e eu chorava e maldizia aquele amor bandido. Espanei os filhos e o marido bem pra longe e tranquei-me no centro cirúrgico.

Conheci a baia ou slot e cheguei a um ponto dramático que era ter que trocar o cluster antigo por um novo, também de outra marca, ou seja, não poderia guiar-me pelo velho. Incrível, foi meu encontro com o processador, em cima do qual repousa o cluster. Trocar um cluster é crucial. Só não é pior do que instalar um programa. Morro de medo de instalar um software ( parece com tapwares, coisa bem doméstica ). E se ele for para um caminho desconhecido, um diretório errado e ficar perdido lá por dentro?

Se eu assassinar meu computador por um motivo tolo, Deus?!

Vocês não conhecem meu pczinho honesto e tão companheiro. Não gosta de conflitos mas ouve meus lamentos, minhas mais recônditas confissões. Não que eu escreva, eu falo para ele. Sim, nós conversamos e ouvimos música juntinhos.

Com tanta idealização sobre este corajoso, belo e bravo guerreiro, como eu suportaria mexer em suas vísceras, vê-lo alí aberto, frágil e desprotegido ? Não, eu não suportava a idéia, mas tive que fazer e sozinha, com essas mãos, trêmulas naquela hora.

Nada me irrita mais do que alguém vir a mim e ficar falando das máquinas turbinadas que estão surgindo. Enquanto ele me quiser, eu jamais o abandonarei. Nada melhor do que o chinelo velho e confortável que me protege. Bem, não é tanto assim. Se pudesse eu até estaria sempre com uma baita máquina quietinha, só pra exibir, inclusive um laptopão incrível.

Conheço homens que trabalham com a máquina toda aberta numa desordem só. Uns desalmados. Não conheço nenhuma mulher que faça uma desnatureza dessas. Também sei de raríssimas que, pela necessidade sabem até reformatar HD. Imagine, reformatar um HD. Isso seria coisa de macho que pensa ou de mulher inteligente que dispõe tempo? Também conheço muito poucas mulheres na área de programação.

Se eu não tivesse que dar conta das cuecas, meias, coisas perdidas pela casa, lençóis descasados, dever dos filhos, reuniões de pais teria tempo para brincar de mexer com máquinas. Até poderia me dedicar a "inventar" máquinas. Mas, além de tudo, ainda tenho que estar "descansada" para ser admirada pelo meu marido que adora máquinas, mas não a de lavar ou a de costurar ( rejeita sua própria criação ). Adora as máquinas da pole position e, com certeza, os "aviões" e outros tipos de "maquinas" que não acho a menor graça e nem tem nenhuma utilidade, pelo menos pra mim.

OBS : Ah, uma coisa curiosa a respeito do cluster, esse ventiladorzinho metido à besta, que fica sentado na cabeça do processador, precisa de uma pomadinha antiestática no traseirinho para que o processador fique de cabeça bem fria. Essa foi uma coisa um tanto baixaria que descobri nas entranhas do meu lord-pc. Não contei para ele para evitar que o pobre não ficasse mais deprimido durante o pós-operatório. Seria bem maldoso de minha parte.

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